Aos anjos


Sinto o chão
as congruências da areia a tempo
quente, fria, seca,úmida, vazia ao vão
versos longos e curtos do vento.

Intimo ao meu pulso
que para o ar ao beijar
um incrível recurso
de bocas ao se encontrar.

É o que quero da vida
esses pontos rasgados na pele
espantos do meu próprio eu na lida
ao negativo que se revele.

A verdade é um verso
encaixe de rimas na língua
moedas de prata ao reverso
paradas na mão a míngua.

Abro meu coração
e em cada átrio habita um pássaro
cantando centralização
no voo de Lázaro.

Imagino essas asas recortadas no papel
unidas ao olhar de uma criança
e assim é todo o céu
caído de amor e esperança.

Não há o pecado na maçã
se ao seu gosto a mordida alimenta
a consciência se veste do divã
que toda fera apascenta.
- Iatamyra Rocha 

"O homem se torna pior e empobrece quando, lançando-se à conquista do externo, vive expulsando suas intimidades."
- Santo Agostinho



Foto: Cemitério Morada da Paz no dia 28/03/2010 às 17:00, no sepultamento do meu pai Iaponam Gomes Freire, imagem feita por mim, Iatamyra Rocha.

"O pôr do sol renasce as perspectivas de toda natureza."
- Iatamyra Rocha  
  

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mulheres poetas

Poemas: Fênix e Versos metafisicos

A República