Postagens

Postagem em destaque

Lumes

Imagem
A agonia de um Filósofo 


Consulto o Phtah - Hotep. Leio o absoleto
Rig - Veda. E, ante obras tais, me não consolo...
O Inconsciente me assombra, e nele rolo
Com a eólica fúria do harmatã inquieto!
Assisto agora à morte de um inseto...!
Ah! Todos os fenômenos do solo
Parecem realizar de pólo à pólo
O ideal de Anaximandro de Mileto !
No hierático *areópago heterogêneo
Das ideias, percorro como um gênio
Desde a alma de Haeckel à alma cenobial!...
Rasgo dos mundos o velário espesso;
E em tudo, igual a Goethe, reconheço
O império da substancia universal!
- Augusto dos Anjos

-> Mais sobre Augusto dos Anjos


----------





Lumes

Falar do copo de leite sobre a mesa
enquanto do poema a metáfora mata a sede fase difícil sede quando fases de difícil acenderia um cigarro se fumasse nessa condição avessa vício profundo ainda entranhado a meu pulmão escorro a palavra e ela vem leitosa de adorno por sobre a mesa como um copo de leite ou de lírio

no vão abstrato vazio anda o fio de cobre ainda que sustente o ouro das palavras i…

Vida de pedra

Imagem
Vida de pedra

Me encanta um seixo de formas arredondadas e lisas cor opaca e lisura ante a terra textura a perder de vista escorregadia a cada parecer de origem feito poesia, feito fuligem que solta da fumaça absorve contornos mais indiferentes feito asa de gente

Na praia brilha a cada maré fazendo o caminho de concha sendo pedra feito fé de ostra quando a onda leva

perfurar sua crosta só o sal do mar ascendendo a cada espuma na costa o verde e o azul propício enquanto ele mesmo sendo precipício a conforta  

segue sua vida de pedra sendo seixo sendo ovo sendo ninho sendo pequenino voo sozinho ainda que seja terra o que a matéria afere.
- Iatamyra Rocha
"Lemos três ou quatro vezes na vida os livros em que há coisas essenciais." - Marcel Proust



O gênio francês Georges Perec

Imagem
Imagine fazer 300 páginas sem a letra e(et-a mais usada em francês)o Georges Perec fez no seu livro "La disparition"(desaparecimento)é um lipograma,ele fazia exercício de escrita constrangida(técnica literária)participava do grupo OuLipo que é uma corrente literária francesa formada por escritores e matemáticos que propõe a libertação da literatura,de maneira paradoxal,através de constrangimentos literários,a Oulipo é a literatura em quantidade ilimitada,o George Perec domina essa arte em potencial,nascido na Paris de 1936 ele foi romancista,poeta,argumentista,e ensaísta,judeu de origem polonesa,teve seu pai morto na frente de batalha,e sua mãe anos depois desaparecida,foi adotado,e educado em paris por sua tia,sua última obra “A vida:Modo de usar” é um quebra cabeças,cada capítulo corresponde a um aposento do prédio onde mora o personagem principal,o enredo é bem complexo matematicamente falando assim como a vida,a forma de escrever é parecida com o escritor argentino Jorge…

A República

Imagem
Margens secas
Neblina de poeira
É deserto nessa bandeira

Descrevo aqui nesse tempo
Goles de papeis
Do vento à mil pés

Minha boca na tua boca
Bebe esse brocado
Rude é sua trama oca


Encaixa a cada desenho
Um botão ao lado
Não sei se pétala de rosa aberta
Perfuma cenho fechado

Geografia inóspita
Verso congelado
Frio que desafia a órbita
Em torno do hino amado

Tango a vida feito gado
Pasto ainda verde
Ribeira de águas limpas
Banha a sede de pertencer


Viver é fardo pesado
O mesmo peso de nascer
Pautado de barro
Numa ode de mãos barrocas

Tigela de ágata
E cutelo de louça
Espaça e ata
A língua  revolta

Mar bravio
De uma terra à vista
Feita de Brasil.
- Iatamyra Rocha



"Ycatu*
E assim vou
Com a fremente mão do mar em minhas coxas
Minha paixão? Uma armadilha de água,
Rápida como peixes,
Lenta como medusas,
Muda como ostras.

(*do tupi:água boa)

- Olga Savary"


Encontros

Imagem
Caprichosa subiu as meias até o meio das coxas e resolveu desafiar o olhar anguloso jeitosa de tudo saiu meia coxa de encontro ao osso
Sabia que ao dobrar a esquina as pernas iriam tremular antecipando o gozo de se fazer estar ali de frente face ao desconhecido indiferente ao vestido de poá
Adiantou a vontade e enquanto caia a tarde deu mais um passo alheio a tanta saudade flutuava feito vento no tempo que arde
A espera validava o giro que a terra lhe causara tantos desatinos em questão findara a quebrar o coração agora nas mãos um pássaro que voara sem direção
Estava diante da próxima rua de muros verdes a boca seca e com alguma sede denunciava a ansiedade na verdade o encontro era uma esfera de tranquilidade
Fazia coro ao peito a música que o eleito lhe cantara

Colunas

Imagem
Enterrem seus mortos! Diziam palavras numa coluna seguidas de ocas paredes, e ocre calçada pintada á carvão não queria esta tarde não ouvia a distante poesia abria com minhas próprias mãos o vermelho que caia servia apenas como aquela coluna fria, inerte, silenciosa queria de verdade entre o peito profunda rosa mas, a muito a secura do caule; o furo dos espinhos tinham a arrancado
De que serviam as palavras sepultadas? se nos versos mais escuros não existiam nada, além daquele poema sustentando o telhado, além de te dizer daquele amor amado repito os mesmos gestos dos antigos poetas não sofro aquela métrica fria, finjo apenas o que esvazia pego ainda no ar fingindo saltar algumas partes vazias mas, é de amor inteiro toda minha poesia
Hoje acordei algumas dores preciso delas, assim como à me compor sou delas e não as tenho pela metade sou parte inteira dessa carne, que arde agarro num abraço, este aço que corta este maço que transporta meu sangue a lugar secreto o mar….um mar….que segredo na língua

e por…

Mulheres poetas

Imagem
Na semana da mulher uma postagem especial com algumas poetas que fizeram história na literatura Mundial, escrever não é fácil, é preciso abdicar de muitas coisas naturais para a sociedade atual, e exercer uma postura quase altruísta em relação ao movimento humano, é preciso amar as palavras,e acima de qualquer coisa buscar a verdade, ao articular, e proferir nossa história humana, seus caminhos, sonhos, matéria, construção e civilidade, a mulher poeta é uma consequência de muita luta travada por seu espaço no mundo, desejando que resulte, no nascimento de uma nova postura, novo olhar ao mundo; a mulher na sua jornada, se multiplica, se desdobra, para a formação desse filho: "Sua obra".
- Iatamyra Rocha

Começo com:
Gilka Machado

poeta brasileira, carioca de 1893, e falecida em 1980. Mais sobre a poeta Gilka Machado. 



Fecundação


Teus olhos me olham
longamente,
imperiosamente...
de dentro deles teu amor me espia.

Teus olhos me olham numa tortura
de alma que quer se…