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Mostrando postagens de Março, 2015

Correntezas

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Tela de Assis Costa Artista Potiguar.

Sinto-me corrente fluída nos tornozelos aço na língua até os dentes e uma tez branco gelo. Bola de ferro arrastando o verso no papel seda do cata-vento escrevo dobraduras no dorso na agrura do bom tempo. Faz sol entre as pálpebras fecho os olhos e atrevo o mundo risco estrelas nas vísceras nesgas de mar profundo. Diria que as trevas são fecundas afundar o pé no mangue é ouvir o alimento que submerge e inunda até o sangue. Não é uma carta que escrevo nem um pensamento que me ocorre é chão morte céu e trevo que em mim escorre. A poesia pode cantar infernos coletando flores nunca sentidas atravessar sem asas todo inverno sem voos suicidas. Poemas sem datas ou nomes simples beleza no caos ainda presente naquele velho homem Adão Neanderthal. O pecado açoita o pecador no limite entre o sonho e o espírito alado dentro está o amor pausado e irrestrito. Cabe na corrente todo infinito que movimenta mãos hábeis e presente que ao mundo alimenta. - Iatamyra Rocha