Nerdestinos

Civone Medeiros - Véu em solo - Casa de Taipa - Fotografia: Flavio Aquino / Clique na foto.

Na mata 
percebe-se o cheiro
bicho selvagem
na aragem
sempre inteiro.

Alta floresta
de vertentes ao mar
veios de trigo
na terra e no ar.

Canto nas ceias
sereias de passos livres
clareiras certeiras
de flores e estirpes.

Vento de curvas
libidinosas
ângulos de claras chuvas
sempre charmosas.

Ser tons de sertão
pura poesia
nobre coração
sons de Maria e de joão.

Serafinas não desafinam
desafiam o fio do tempo
tecendo todo momento
essas meninas do vento.

Corredeiras de asas
casas amáveis
águas de sal
saudáveis frutas no quintal.

Amor no ventre
presente vida
parida guarida
florescida.

Cantas sabedoria
poema cântaros
dia todo de magia
cama e areia
ideologia.

Renascimento
na mente semente
do universo
sacramento
ultimo verso.
- Iatamyra Rocha 


"Não sou a mulher
que corta os pulsos e se joga da janela 
nem aquela que abre o gás
nem mesmo a loba que entra no rio
com os bolsos cheios de pedra.

Sou todas elas."
- Marize Castro







 

 

Comentários

Suzana Martins disse…
Seu poema trouxe doces lembranças pra mim. Lembro a primeira vez que visitei o interior de Pernambuco. Nunca tinha visto a seca de perto, já tinha ouvido falar, mas meus olhos ainda não conheciam a terra árida, a secura das plantas. Não havia verde, ou melhor, era um verde avermelhado, meio acinzentado... Não sei explicar. Mas, as pessoas daquele sertão tinham tantas histórias para contar. Histórias da época que chovia, dos açudes cheios, do sol no fim do dia.
O que mais me entristeceu nessa viagem foi ver o gado magro, outros mortos no meu do caminho. Eu nunca tinha visto o gado assim. Porém, em compensação, descobri que as pessoas ali são felizes a sua maneira. Aprenderam a sobreviver e, as histórias contadas por eles, ensinam a viver!

"Ser tons de sertão
pura poesia
nobre coração
sons de Maria e de joão."

Ah!! o Sertão!! Me ensinou tanta coisa!! Acho que foi a viagem mais impressionante que fiz com os meus pais. Eles foram visitar um amigo que por lá morava. Acho que eu tinha, na época, dez ou doze anos. Não lembro. O que a minha memória grita, são paisagens secas no meio do caminho. E uma casinha de taipa no meio do nada, onde uma senhora - com o rosto castigado pela seca - acenava para quem passava!



Doces lembranças!!!

Ah meu Nordeste! Como tenho saudades!!
Lá tudo é diversidade.
Lugar onde encontro seco e molhado.
Gente triste e feliz.
Sol e chuva.
Ainda consigo sentir o cheiro da terra seca...
Doces momentos!!

Nasci, cresci e vivi boa parte da minha história no Nordeste. Sou Nordestina com muito orgulho e quando eu leio versos assim é que eu bato no meu e grito: Te amo Nordeste!! Bahia, minha preta, um dia eu volto!! rs...

Nossa Ia! desculpa as divagações, mas é porque o seu poema trouxe lembranças para perto de mim. Obrigada!! Obrigada!!!

Beijos linda!!!!
Iatamyra Rocha disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Iatamyra Rocha disse…
Suzana Martins, que desabafo lindo e sentido aqui em terras Nordestinas, não há aridez que resista a você Baiana, trouxe chuva e orvalho na sua poesia com cheiro de flor de mandacaru(flor da sabedoria), obrigada pela visita. bju

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