Elizabeth Bishop [sobre flores raras]







Elizabeth Bishop[08/02/1911 - 06/10/1979],autora americana vencedora do prêmio Pulitzer 1956 com o livro "North e South" - A cold spring; considerada uma das mais importantes poetisas do século 20, viveu no Brasil de 1951 a 1970 vivenciando de forma intensa o meio político e cultural tão revelante e delicado da época; até hoje sua personalidade impressa nos seus escritos, influencia a literatura poética de forma enriquecedora, e é sempre fonte de inspiração.

Impressões

Encanta
a forma, a cor, o cheiro
que desprendem das palavras,
a entoação das marcas,
digitais em vórtices,
pequenas galáxias,
mil mortes.

Palavras em uso,
impulsionam,
in Fusão,
química além dos poros,
frestas,
êxtases,
florestas me devoram,
imploram seu ser sentido,
exploram ao ver tecido,
linho ou seda pura,
inicio ou fim da fruta madura.

Encanta
ser e haver procura,
faltar o fôlego
no sopro da flauta
no meio da pauta,
Tortura,
me pauta e cura.

- Iatamyra Rocha


-Dois poemas traduzidos-
[para ler ao som do solo de guitarra de Jimmy Page/Jeff Beck/Eric Clapton - Stairway of Heaven]


O Iceberg imaginário

 O iceberg nos atrai mais que o navio,
mesmo acabando com a viagem.
Mesmo pairando imóvel, nuvem pétrea,
e o mar um mármore revolto.
O iceberg nos atrai mais que o navio:
queremos esse chão vivo de neve,
mesmo com as velas do navio tombadas
qual neve indissoluta sobre a água.
Ò calmo campo flutuante,
sabes que um iceberg dorme em ti, e em breve vai despertar e talvez pastar em tua neve?

Esta cena um marujo daria os olhos pra ver.Esquece-se o navio.
O iceberg sobe e desce;seus píncaros de vidro corrigem eliptcas no céu.
Esse cenário empresta a quem o pisa uma retórica fácil.O pano leve é levantado por cordas finíssimas de aéreas espirais de neve.
Duelo de argúcia entre alvas agulhas e o sol.O seu peso o iceberg enfrenta no palco instável e incerto onde se assenta.

É por dentro que o iceberg se faceta.
Tal como joias numa tumba ele se salva para sempre,e adorna só a si,talvez também as neves que nos assombram tanto pelo mar.
Adeus,adeus,dizemos e o navio segue viagem, e as ondas sucedem, e as nuvens buscam um céu mais quente.

O iceberg seduz a alma
[pois os dois se inventam do quase invisível]
a vê-lo assim:concreto, ereto, indizível.

Chemim de Fer

Sozinha nos trilhos eu ia,
coração aos saltos no peito.
O espaço entre os dormentes
era excessivo,ou muito estrito.

Paisagem empobrecida:carvalhos, pinheiros franzinos;
e além da folhagem cinzenta
vi luzir ao longe o laguinho

onde vive o eremita sujo,
como uma lágrima translúcida
ao conter seus sofrimentos
ao longo dos anos, lúcida.

O eremita deu um tiro
e uma árvore balançou.
O laguinho estremeceu.
E sua galinha cocoricou.

Bradou o velho eremita:
"Amor tem que ser posto em prática!"
Ao longe um eco esboçou, 
sua adesão não muito enfática.

Elizabeth Bishop - North e South [1946]

 



 
 


 
 

  
 
  

 

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