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Mi maior

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"Mulher Vitruviana" tela de Harmonia Rosale Minha voz não arde mais urgências é voz firme e suave sem intercorrências diz os ramos da árvore o tempo de chuva o voo da ave e o olhar da Medusa às vezes ela treme e pigarreia é quando estou no mar vestida de sereia oceano quente sol à pino escamas transluzentes  seios finos minha voz ainda é sexy derrete geleiras festeja a colheita pagã é oratória de musgo na pedra cristã diz riachos lava vermelha espaços onde fincam estrelas é rouca silenciosa rosa estóica vela histórica das orações nas cruzadas encosta alada da montanha estranha como diz a música musa pra uns bruxa para mim minha voz é constante e não precisa de batom carmim. Iatamyra Rocha Freire

Lumes

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A agonia de um Filósofo  Consulto o Phtah - Hotep. Leio o absoleto Rig - Veda. E, ante obras tais, me não consolo... O Inconsciente me assombra, e nele rolo Com a eólica fúria do harmatã inquieto!   Assisto agora à morte de um inseto...! Ah! Todos os fenômenos do solo Parecem realizar de pólo à pólo O ideal de Anaximandro de Mileto ! No hierático *areópago heterogêneo Das ideias, percorro como um gênio Desde a alma de Haeckel à alma cenobial!... Rasgo dos mundos o velário espesso; E em tudo, igual a Goethe, reconheço O império da substancia universal! - Augusto dos Anjos ->  Mais sobre Augusto dos Anjos       ---------- Lumes Falar do copo de leite sobre a mesa enquanto do poema a metáfora mata a sede fase difícil sede quando fases de difícil acenderia um cigarro se fumasse nessa condição avessa vício profundo ainda entranhado a meu pulmão escorro a palavra e ela vem leitosa de adorno por ...

O gênio francês Georges Perec

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Imagine fazer 300 páginas sem a letra e(et-a mais usada em francês)o Georges Perec fez no seu livro "La disparition"(desaparecimento)é um lipograma,ele fazia exercício de escrita constrangida(técnica literária)participava do grupo OuLipo que é uma corrente literária francesa formada por escritores e matemáticos que propõe a libertação da literatura,de maneira paradoxal,através de constrangimentos literários,a Oulipo é a literatura em quantidade ilimitada,o George Perec domina essa arte em potencial,nascido na Paris de 1936 ele foi romancista,poeta,argumentista,e ensaísta,judeu de origem polonesa,teve seu pai morto na frente de batalha,e sua mãe anos depois desaparecida,foi adotado,e educado em paris por sua tia,sua última obra “A vida:Modo de usar” é um quebra cabeças,cada capítulo corresponde a um aposento do prédio onde mora o personagem principal,o enredo é bem complexo matematicamente falando assim como a vida,a forma de escrever é parecida com o escritor argentino ...

Encontros

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Caprichosa subiu as meias até o meio das coxas e resolveu desafiar o olhar anguloso jeitosa de tudo saiu meia coxa de encontro ao osso Sabia que ao dobrar a esquina as pernas iriam tremular antecipando o gozo de se fazer estar ali de frente face ao desconhecido indiferente ao vestido de poá Adiantou a vontade e enquanto caia a tarde deu mais um passo alheio a tanta saudade flutuava feito vento no tempo que arde A espera validava o giro que a terra lhe causara tantos desatinos em questão findara a quebrar o coração agora nas mãos um pássaro que voara sem direção Estava diante da próxima rua de muros verdes a boca seca e com alguma sede denunciava a ansiedade na verdade o encontro era uma esfera de tranquilidade Fazia coro ao peito a música que o eleito lhe cantara "Odara" gostaria de assim se deixar levar até os braços do amado sem cerimonias e versos atravessados apenas um bailar ri...

Colunas

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Enterrem seus mortos! Diziam palavras numa coluna seguidas de ocas paredes, e ocre calçada pintada á carvão não queria esta tarde não ouvia a distante poesia abria com minhas próprias mãos o vermelho que caia servia apenas como aquela coluna fria, inerte, silenciosa queria de verdade entre o peito profunda rosa mas, a muito a secura do caule; o furo dos espinhos tinham a arrancado De que serviam as palavras sepultadas? se nos versos mais escuros não existiam nada, além daquele poema sustentando o telhado, além de te dizer daquele amor amado repito os mesmos gestos dos antigos poetas não sofro aquela métrica fria, finjo apenas o que esvazia pego ainda no ar fingindo saltar algumas partes vazias mas, é de amor inteiro toda minha poesia Hoje acordei algumas dores preciso delas, assim como à me compor sou delas e não as tenho pela metade sou parte inteira dessa carne, que arde agarro num abraço, este aço que corta este maço que transporta meu...

Mulheres poetas

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Na semana da mulher uma postagem especial com algumas poetas que fizeram história na literatura Mundial, escrever não é fácil, é preciso abdicar de muitas coisas naturais para a sociedade atual, e exercer uma postura quase altruísta em relação ao movimento humano, é preciso amar as palavras,e acima de qualquer coisa buscar a verdade, ao articular, e proferir nossa história humana, seus caminhos, sonhos, matéria, construção e civilidade, a mulher poeta é uma consequência de muita luta travada por seu espaço no mundo, desejando que resulte, no nascimento de uma nova postura, novo olhar ao mundo; a mulher na sua jornada, se multiplica, se desdobra, para a formação desse filho: "Sua obra". - Iatamyra Rocha Começo com:   Gilka Machado   poeta brasileira, carioca de 1893, e falecida em 1980. Mais sobre a poeta Gilka Machado.  Fecundação Teus olhos me olham longamente, imperiosamente... de dentro deles teu amor me espia. Teus olhos me olham ...

Umbilical

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Volta e meia Contorço o verso Torno cheio com as mãos Circulo veio Escorre o chão Arredondando devagar Arranco tronco Marola no mar Diminuindo cada volta Casco duro de imbua Concha redemoinha no ouvido Labirinto de rendeira,não Poá Abrigo no ventre próprio Acolhido encolhido Engolido lido Umbigo Micróbio Dobro em várias partes Desdobrando marte Miolo volto Embolo de arte Palavra mole Flexível ao fole Bole aqui dentro Contentamento Arbóreo Descrevo enquanto Abstrato laboral Quântico cântico Residual Aquoso é o poema Escoou na pedra Escoro quorum à medra Até ponto de fio. - Iatamyra Rocha "A um passo do pássaro res piro." - Orides Fontela

Prelúdios

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Minha coluna escorrega Com teus apelos Antes de mármore Descansava lápide Lábios turvos Portes e zelos Imóvel transcendia os campos Cobertos de lírios e girassóis Ansiava a volta Com suas armas polidas Suas mãos rudes A tocar minha fria altura Ferida sem voz Há tempos voava teu rumo Andava entre povos Cortando a fio um vento sem prumo saudava tuas lembranças traçando cada ponto da minha estrutura desde criança te via um em cada rosto desejo pressuposto que ali estava e me atava nesse poema feita a terra,fogo e penas rasgando o solo fértil da última chuva Vou aos poucos cedendo Permeável a tua vontade Na rigidez das luas Deito um mar de fim tarde Minhas águas nas tuas Nesses dias de longe se ouvia Duas linhas no horizonte Firmes contornos de poesia. - Iatamyra Rocha  "A mulher deve escrever sobre si própria e lev...