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Vida de pedra

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Vida de pedra Me encanta um seixo de formas arredondadas e lisas cor opaca e lisura ante a terra textura a perder de vista escorregadia a cada parecer de origem feito poesia, feito fuligem que solta da fumaça absorve contornos mais indiferentes feito asa de gente Na praia brilha a cada maré fazendo o caminho de concha sendo pedra feito fé de ostra quando a onda leva perfurar sua crosta só o sal do mar ascendendo a cada espuma na costa o verde e o azul propício enquanto ele mesmo sendo precipício a conforta   segue sua vida de pedra sendo seixo sendo ovo sendo ninho sendo pequenino voo sozinho ainda que seja terra o que a matéria afere. - Iatamyra Rocha "Lemos três ou quatro vezes na vida os livros em que há coisas essenciais." - Marcel Proust

Meu jeitinho brasileiro

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Tó no jeito Bem brasileiro Só não peito Esse tal de dinheiro Sobe a bolsa Acima do teto E eu grifando trouxa De capital aberto. Ontem fui na feira Era um tal de rito Na geral inteira Pra ver são Benedito. Então tó radical Minha mãe é que dizia: Estude. E eu só levava pau Era in formal de atitude. E no jeito Tó quebrando tudo Causa do efeito Global no mundo.   O profundo votem bem Na real dentro da urna É só cara de pau que têm Fundo pra fazer fortuna. Sou mãe de universitários Mas não ralei em Brasília Meus filhos não são otários E nem aquela bolha é ilha. Tó ciente da fronteira no jeitinho que USA Sou mãe brasileira E onde aperta eu sei. Brasil escreve com S A gente não dormiu Vê se o esplêndido cresce e sai do 22 de abril. Aqui não cola boi de formol A gente é feito de arroz e feijão É vida de gado de sol a sol Mas com liberdade de coração. Terra das oportunidades Ver...

Digitais

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Há riscos na palavra grafias inexatas de cordas faltam pulsos digitais formas nas bordas desemboque livre aos gritos a mudez roeu e o nu navega nega, nega que tua cor pula abismos a raça canta total lirismo e a rata comeu o que a gata perdeu não é só cinismos, é nadismos feitos de águas claras nos olhos óleos perfumados de mar porão e esgotos lenhados nas costas cheiros de sal e bosta hóstia sagrada dos caminhos pão amassado com os pés dados jogados ao revés djabos não vestem pratas fundidas só pradas fudidas tolas ralés há o pássaro e a garganta ele corta rasante as linhas e canta aço na rinha espanta assim é o riscado quadrado sem oito grades perduradas coito afoito fôlego métrico sem mapas tapas pelas chinchilas mortas hortas de haxixe a lá Bangu rio abaixo e rio acima Piracemas no Pirarucu porque te quero verso no reverso construído de amor e a palavra vale a pronuncia despida de toda dor. - Iatamyra Rocha Carta Meu caro amigo, est...

Bússulas

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No corpo só o vermelho do escuro gosto. Toda raiz e seu verso plausível de folhas. No tempo das bolhas a escrita dormia. Toda a palavra caia em gotas de orvalho diluídas no papel. Penso que amar não é só. É o todo molecular. Plural de línguas mortas amorfas de uso. Verbo e diagramas em crescente fuso. Não nado por fruto da força mas forço e ouço. Mar acima perfuro nuvens. - Iatamyra Rocha "Assovia o vento dentro de mim.Estou despido.Dono de nada,dono de ninguém,nem mesmo dono de minhas certezas,sou minha cara contra o vento,a contravento,e sou o vento que bate na minha cara." - Eduardo Galeano  

Versos Confessos

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Eu toco em ti em pensamentos Com olhos, amor e palavras Que desprendem em folhas ao vento. Eu escrevo em ti com meus versos Com meu sentir profundo Os meus desejos inconfessos. Eu olho em ti só o mar Flutuando em fulgores Sobre o azul perpendicular. Eu beijo em ti teus segredos Que desvendam estrelas No céu dos meus medos. Eu canto em ti uma serenata Recitando em teus rochedos A suavidade das tuas águas. Eu deságuo em ti meus rios Sussurrantes e termais Em explosões e desvarios. Eu acomodo em ti meu colo Meu carinho revelado Minha essência, meus poros. Eu me sinto em ti Como poesia concreta Quando versas em mim Tuas palavras indiscretas. ®IatamyraRocha Profana/Prisma