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Prelúdios

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Minha coluna escorrega Com teus apelos Antes de mármore Descansava lápide Lábios turvos Portes e zelos Imóvel transcendia os campos Cobertos de lírios e girassóis Ansiava a volta Com suas armas polidas Suas mãos rudes A tocar minha fria altura Ferida sem voz Há tempos voava teu rumo Andava entre povos Cortando a fio um vento sem prumo saudava tuas lembranças traçando cada ponto da minha estrutura desde criança te via um em cada rosto desejo pressuposto que ali estava e me atava nesse poema feita a terra,fogo e penas rasgando o solo fértil da última chuva Vou aos poucos cedendo Permeável a tua vontade Na rigidez das luas Deito um mar de fim tarde Minhas águas nas tuas Nesses dias de longe se ouvia Duas linhas no horizonte Firmes contornos de poesia. - Iatamyra Rocha  "A mulher deve escrever sobre si própria e lev...

Biossíntese

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  Desenho de Leonardo da Vinci Nas minhas mãos O lado preciso e gasto à esquerda Na sintonia alongada e fina à direita Ao verso linhas e vãos Do meu amor na imensidão Estendo os braços à ponte Abaixo sinuoso abraço de um rio Imersa em todo e qualquer horizonte À vida por um cio Há lado esquerdo nas asas Embocadura direita à frente Cantando hino e pausas Em fado dormente Enumero aqui alguns artefatos Atos, fatos e hiatos natos Carta náutica até então Descrita acima pelas minhas próprias mãos          - A vida se coloca na arte presente Preenche a matéria e parte De forma que nunca está ausente num cinza que pulsa consciente - Arma-se e desarma-se simplesmente Na mesma pedra na mesma mente Lapidando-se de forma congruente Com ou sem rima aparente - Antes o pôr do sol ilumina toda gente Espalhando raios naturalmente Até que a lua apareça indiferentemente ...

Transições

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  Via costeira,praia de Ponta Negra, Natal RN(Foto: Iatamyra Rocha) Como uma maçã cortada Vejo rubores e depressões âmbar No olhar a vejo alada Infinita na cadência de um samba E me escapa um fio branco Entre o erre e o erro Estanco -- Todo o vermelho e verde da fruta Escrevo teu gosto Ciente da minha língua e do meu tempo Que me ausculta Ouço o rio borbulhar Nas suas pequenas e grandes palpitações Doce igual à fruta do meu lar Sem grandes complicações [--Minha maçã preferida é verde (pauso e digo) Lembro-me do suco de uva na casa da maçã Preferindo ao leite (explico) Enquanto ouço papos de Vietnã - Filosofando só pra mim meio vã] Meu ponto de partida me ecoa Esvai minha carranca naquela proa Há na vida um estalo contido Meio ralo, solto, num elo perdido E me abandono muitas vezes nesse feixe Meio raio, feito barco, semipeixe Na árvor...